Por Sérgio Hicardo – TV Criar – Brasília DF
Nesta quarta-feira (21 de janeiro de 2026), o Banco Central do Brasil tomou uma medida inédita ao decretar a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, instituição que atuava no mercado como Will Bank, um banco digital voltado para o público popular.
O que aconteceu com o Will Bank
O Banco Central decidiu encerrar as operações da fintech após constatar que a situação econômico-financeira da instituição estava comprometida e sem condições de honrar seus compromissos. Por isso, a autoridade monetária determinou a liquidação extrajudicial — mecanismo que retira a instituição do Sistema Financeiro Nacional e interrompe suas atividades.
Antes da liquidação, o Will Bank estava sob Regime Especial de Administração Temporária (Raet), uma medida em que o Banco Central assume o controle para tentar preservar os interesses dos clientes e buscar uma solução, como a venda para outro investidor. No entanto, as negociações não prosperaram e, diante da deterioração das contas, houve a decisão pela liquidação.
Motivos que levaram ao fim da fintech
A liquidação foi motivada por múltiplos fatores, entre eles:
- Situação econômica insustentável do banco digital.
- Incapacidade de honrar pagamentos com parceiros internos e externos.
- Acúmulo de dívidas e falta de investidores dispostos a assumir a instituição.
- Interrupção de serviços pela bandeira de cartões, que indicou risco financeiro da empresa.
Além disso, o Will Bank estava relacionado ao Banco Master, que já havia sido liquidado pelo Banco Central em 2025 após enfrentar graves problemas financeiros próprios. A influência dessa crise no banco digital agravou ainda mais a situação da fintech.
O que muda para clientes e o sistema financeiro
Com a liquidação, as operações tradicionais do banco — como contas digitais, cartões, empréstimos e produtos financeiros — foram encerradas imediatamente. O processo agora é conduzido pelo Banco Central, que organiza a identificação de credores, ativos e passivos da instituição.
Os clientes com saldos em conta ou investimentos poderão ter seus valores compensados por meio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Essa proteção aplica-se a depósitos, CDBs e outras aplicações cobertas pelo fundo.
Impactos no mercado de bancos digitais
A liquidação do Will Bank representa um marco no cenário dos bancos digitais brasileiros, especialmente por se tratar de uma fintech voltada para inclusão financeira e concorrente de players maiores no setor. O episódio levanta questionamentos sobre a sustentabilidade e regulação de instituições financeiras de menor porte em um mercado competitivo.
Especialistas apontam que a situação evidencia a necessidade de monitoramento mais rigoroso e estratégias sólidas de capitalização para fintechs que buscam crescer rapidamente, sem comprometer a segurança dos clientes.


