Em apenas 14 dias, volume de chuva superou o recorde registrado em 1983; Defesa Civil mantém monitoramento diante do risco de alagamentos e deslizamentos
A cidade de São Paulo registrou, nesta segunda-feira (14), o mês de setembro mais chuvoso desde o início das medições meteorológicas, em 1943. O acumulado chegou a 253,8 milímetros na estação do Mirante de Santana, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
O volume registrado nos primeiros 14 dias do mês já é aproximadamente três vezes maior que a média histórica de setembro, estimada em 83,3 milímetros. A marca também ultrapassou o recorde anterior, de 243,1 milímetros, observado em setembro de 1983.
Temporais provocam estragos
As chuvas intensas causaram alagamentos, quedas de árvores, bloqueios de vias e deslizamentos em diferentes pontos da Região Metropolitana de São Paulo.
Em Juquitiba, foram registrados mais de 70 deslizamentos e pelo menos 15 pontos de alagamento. Mais de 100 pessoas precisaram deixar suas casas. Em São Bernardo do Campo, parte de uma residência desabou após um deslizamento, mas não houve registro de vítimas no local.
Ocorrências graves também foram registradas em Barueri, Jandira e Itaquaquecetuba. As autoridades trabalham na localização de desaparecidos e na confirmação das circunstâncias das mortes relacionadas aos temporais.
Na Rodovia dos Tamoios, a pista antiga da serra chegou a ser interditada preventivamente após deslizamentos e quedas de árvores.
Outras cidades também registram volumes elevados
O excesso de chuva não ficou restrito à capital. Campinas acumulou 257,2 milímetros e também estabeleceu um novo recorde para setembro. Registro, São José dos Campos, Baixada Santista e Bauru apresentaram volumes muito acima dos padrões esperados para o período.
A Defesa Civil paulista mobilizou um gabinete de crise para acompanhar a situação e avaliar as medidas de emergência. O órgão estuda até mesmo antecipar a Operação Chuvas, tradicionalmente realizada entre dezembro e março.
Risco permanece
O solo encharcado aumenta o risco de novos deslizamentos, principalmente em encostas e regiões vulneráveis. O Cemaden já havia alertado para a continuidade das chuvas fortes e persistentes no centro-leste e sul de São Paulo, com possibilidade de os acumulados atingirem níveis críticos. Veja o alerta oficial do Cemaden.
A orientação é evitar áreas alagadas, não enfrentar correntezas e deixar imediatamente imóveis que apresentem rachaduras, inclinação de árvores, movimentação de terra ou outros sinais de deslizamento.
Autor: Sérgio Hicardo — TV Criar Brasília DF


