Polícia Federal informa que, até o momento, nenhuma criança brasileira foi identificada entre os menores localizados na Operação Escudo Estadual
Uma grande operação realizada nos Estados Unidos localizou 163 bebês, crianças e adolescentes que estavam registrados como desaparecidos. A notícia ganhou repercussão no Brasil e reacendeu a esperança de famílias que procuram crianças desaparecidas no Maranhão, no Pará e no Rio de Janeiro.
A chamada Operação Statewide Shield, ou Operação Escudo Estadual, foi realizada entre os dias 17 e 21 de agosto de 2026, sob a coordenação do Departamento de Polícia da Flórida, com a participação de diferentes órgãos de segurança.
Os menores encontrados têm idades entre dois meses e 17 anos. Apesar da expectativa criada pela divulgação das imagens, a Polícia Federal brasileira informou que, de acordo com os dados enviados pelas autoridades norte-americanas, nenhuma criança brasileira foi identificada entre as 163 localizadas.
Maior operação desse tipo já realizada na Flórida
A operação foi apresentada pelas autoridades como a maior iniciativa de localização e recuperação de crianças desaparecidas da história da Flórida.
As equipes atuaram em diferentes regiões do estado norte-americano. Tampa concentrou o maior número de casos, com 46 crianças localizadas. Miami registrou 41; Jacksonville, 32; Orlando, 21; Fort Myers, 12; Pensacola, oito; e Tallahassee, três.
A operação também contou com cooperação em outros seis estados norte-americanos, Porto Rico e diferentes países.
Algumas das crianças apresentavam histórico de abuso, negligência, exploração ou exposição a atividades criminosas. Entretanto, as autoridades ressaltaram que isso não significa que todas tenham sido vítimas de tráfico humano.
Depois de localizados, os menores foram encaminhados para unidades de acolhimento, onde receberam atendimento médico, psicológico e assistência social.
Pelo menos três pessoas foram presas por acusações relacionadas a crimes contra menores, interferência na guarda de crianças e resistência às autoridades. Novas prisões ainda podem ocorrer com o avanço das investigações.
Mãe acredita ter reconhecido o filho em uma imagem
A repercussão da operação chegou ao Brasil depois que Clarice Cardoso, mãe de duas crianças desaparecidas no Maranhão, afirmou ter percebido semelhanças entre seu filho Allan Michael e um menino mostrado nas imagens divulgadas nos Estados Unidos.
Allan Michael, de quatro anos, e sua irmã Ágatha Isabelly, de seis, desapareceram no dia 4 de janeiro de 2026, enquanto brincavam em uma área rural da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, no Maranhão.
Os irmãos estavam acompanhados do primo Anderson Kauã, de oito anos. O menino foi encontrado com vida três dias depois, debilitado e sem roupas, nas proximidades de uma estrada localizada a aproximadamente quatro quilômetros do ponto do desaparecimento.
Clarice procurou a Polícia Federal para solicitar ajuda e uma possível comparação genética. Segundo a mãe, determinadas características físicas do menino mostrado nas imagens seriam parecidas com as de Allan.
A semelhança visual, entretanto, não representa uma identificação oficial. Somente a comparação de documentos, impressões digitais ou material genético poderia confirmar a identidade da criança.
Polícia Federal afirma que não há brasileiros entre os localizados
Em atualização divulgada nesta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, a Polícia Federal informou que nenhuma criança brasileira estaria entre os 163 menores localizados durante a operação norte-americana.
A informação teria sido repassada pelas autoridades dos Estados Unidos. Com isso, permanece sem confirmação qualquer ligação entre os menores encontrados e os casos de crianças brasileiras desaparecidas.
Mesmo diante dessa atualização, as famílias continuam buscando cooperação internacional para ampliar as investigações.
Família de criança desaparecida no Pará também procurou a PF
A família de José Arthur Sousa Barros, de dois anos, também solicitou à Polícia Federal uma comparação dos dados da criança com os registros dos menores encontrados nos Estados Unidos.
José Arthur desapareceu em março de 2026,6, na área rural de Eldorado dos Carajás, no sudeste do Pará. O menino brincava nas proximidades de casa, em uma região perto de uma rodovia e de um rio, quando desapareceu.
O pedido encaminhado pela família solicita que características físicas, imagens e outras informações sejam analisadas pelas autoridades brasileiras e norte-americanas.
Até o momento, não existe confirmação de que José Arthur esteja entre as crianças localizadas.
Casos poderão entrar no alerta internacional da Interpol
A Polícia Federal analisa pedidos para incluir crianças brasileiras desaparecidas na chamada Difusão Amarela da Interpol.
Esse alerta internacional é utilizado para auxiliar na localização de pessoas desaparecidas, principalmente crianças, e permite que informações sejam compartilhadas entre as polícias dos países integrantes da organização.
Os nomes de Ágatha Isabelly e Allan Michael poderão ser incluídos no sistema depois da análise da documentação. A medida pode ampliar as buscas para além do território brasileiro.
A PF também solicitou a inclusão de Edson Davi, desaparecido desde 4 de janeiro de 2024, na Praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Edson tinha seis anos quando desapareceu enquanto acompanhava o pai, que trabalhava em uma barraca na praia.
Informação responsável evita falsas esperanças
A localização das 163 crianças representa uma vitória importante para as famílias envolvidas na operação dos Estados Unidos. Entretanto, as autoridades alertam para a necessidade de cautela na divulgação de imagens e informações não confirmadas.
Comparações feitas somente por fotografias podem gerar falsas identificações e aumentar o sofrimento das famílias brasileiras.
Até que sejam apresentados documentos ou resultados de exames genéticos, não é possível afirmar que alguma das crianças desaparecidas no Brasil tenha sido encontrada nos Estados Unidos.
A TV Criar continuará acompanhando as investigações e divulgará novas informações confirmadas pelas autoridades brasileiras e norte-americanas.
Reportagem exclusiva TV Criar
Autor: Sérgio Hicardo
TV Criar Brasília – Entretenimento e Notícias


