Depois de tudo o que viveram, parecia que o tempo tinha decidido caminhar mais devagar para Lucas e Mariana.
Na pequena varanda da casa onde costumavam se encontrar ao final das tardes, o silêncio entre os dois já não era desconfortável. Era um silêncio cheio de significado — daqueles que só existem quando duas pessoas aprendem a se entender sem precisar falar.
O vento balançava suavemente as folhas das árvores enquanto o céu mudava de cor, passando do azul claro para um laranja suave de fim de dia.
Mariana olhou para Lucas e sorriu.
— Engraçado… — disse ela.
— O quê? — perguntou ele.
— Antes eu tinha medo de amar assim.
Lucas ficou em silêncio por alguns segundos, observando o horizonte.
— Eu também — respondeu. — Porque quando o amor é verdadeiro… a gente sabe que pode perder.
Mariana segurou a mão dele com delicadeza.
— Mas também sabe que vale a pena.
Os dois ficaram ali, sentindo o calor das mãos entrelaçadas. Não havia pressa. Não havia promessas exageradas. Apenas a certeza tranquila de que estavam construindo algo raro: um amor que não precisava de grandes gestos para existir.
Naquele momento, Lucas percebeu algo que nunca tinha entendido antes.
O amor deles não era feito de tempestades.
Era feito de brasas.
E brasas… quando bem cuidadas… queimam por muito mais tempo.
Mariana encostou a cabeça no ombro dele.
— Lucas…
— Sim?
— Você acredita que algumas histórias são escritas antes mesmo da gente nascer?
Ele sorriu.
— Se for verdade… eu tenho certeza de que a nossa foi escrita com calma.
O sol desaparecia no horizonte quando Lucas beijou suavemente a testa de Mariana.
E ali, naquele instante simples, os dois sabiam:
o amor deles não precisava correr.
Porque as histórias mais bonitas…
são aquelas que o tempo tem prazer em contar devagar.
✍ Autor: Sérgio Hicardo
📺 TV Criar


