Narrativa vendida como passeio eleitoral dá lugar a tensões, silêncios e disputas veladas no Palácio do Buriti
Há poucos meses, a dupla Ibaneis Rocha e Celina Leão vendia aos quatro ventos a narrativa de uma sucessão tranquila no Distrito Federal. O governador iria para o Senado, a vice assumiria o comando do Palácio do Buriti sem maiores sobressaltos. Um roteiro ensaiado, quase um passeio eleitoral, segundo a propaganda oficial repetida à exaustão por blogs aliados — verdadeiros panfletos digitais que atuam como departamento informal de relações públicas do governo.
Mas a realidade política do DF, conhecida por sua imprevisibilidade, começa a desmentir o discurso ensolarado.
Nos bastidores, o clima já não é de harmonia. A sucessão, antes apresentada como certa e pacificada, passou a enfrentar ruídos, resistências internas e movimentos estratégicos silenciosos. O que parecia uma transição automática começa a se mostrar um tabuleiro bem mais complexo do que o governo admite publicamente.
Aliados históricos demonstram desconforto. Grupos políticos que orbitam o poder sinalizam insegurança quanto ao futuro. A suposta unanimidade em torno do projeto sucessório se fragmenta à medida que interesses pessoais, eleitorais e regionais entram em choque. O silêncio de algumas lideranças, antes entusiasmadas, agora fala mais alto do que discursos oficiais.
A vice-governadora, apontada como herdeira natural do Buriti, já percebe que o caminho pode estar longe de ser livre. Apoios considerados “fechados” mostram-se condicionais, e a base aliada começa a calcular riscos e ganhos antes de cravar qualquer fidelidade.
Enquanto isso, a máquina de comunicação do governo segue tentando sustentar a imagem de normalidade. Textos elogiosos, análises otimistas e manchetes cuidadosamente construídas continuam circulando nos canais amigos. Mas fora da bolha digital, a percepção é outra: a sucessão deixou de ser consenso e virou disputa.
No Distrito Federal, a história mostra que transições políticas raramente seguem o roteiro planejado. E, ao que tudo indica, a novela da sucessão no Buriti está apenas começando — com capítulos que prometem bem mais tensão do que o governo gostaria de admitir.
Autor: Sérgio Hicardo
Veículo: TV Criar – Brasília


