E se a ansiedade, a depressão, a síndrome do ninho vazio, do pânico, a menopausa e o sobrepeso acontecerem ao mesmo tempo?
Eu vivi tudo isso e mesmo assim sobrevivi.
Foi uma fase ruim, daquelas que a gente nunca imagina que irá passar.
Fiquei totalmente sem controle da situação, desacreditada por assumir ter uma doença que ninguém conseguia compreender, invisível aos olhos dos outros, mas que doía muito.
Saibam como foi.
Aos 50 anos, em crise existencial, sofrendo por causa da menopausa, pela falta dos filhos e completamente esgotada em função de problemas pessoais e da empresa, veio a depressão, a síndrome do pânico e a primeira visita ao psiquiatra, seguido de um longo tratamento a base de remédios “tarja preta”.
Foi difícil acertar no remédio. No início foram muitas tentativas de acerto e foi horrível passar pela fase de adaptação. Eu me sentia muito mal e parecia que o problema só piorava.
Por muito tempo carreguei no bolso Rivotril “SOS” para o caso de alguma crise.
Num próximo texto irei compartilhar com vocês minha experiência com a síndrome do pânico, os meus principais sintomas e como a respiração diafragmática me ajudou.
E como me marcou! É como uma tatuagem que depois que perdeu o sentido da sua existência, não consegue ser apagada e você precisa aprender a conviver com ela.
Permaneci em tratamento por alguns meses e neste período fiquei melhor, mas até hoje não sei se estou realmente curada ou se aprendi conviver com o problema. Todos os sintomas ficaram registrados na minha memória, fiquei traumatizada e com muito medo de ter recaídas.
Recebi alta com muitas recomendações, sendo a principal delas, realizar mudanças que promovessem qualidade de vida, para não voltar a ter os mesmos sintomas.
Só que isso é quase um ditado popular. Todo mundo fala que tem que ter, mas ninguém sabe direito como conseguir, visto que vivemos assoberbados de tarefas, compromissos e restrições de todos os tipos.
Mas enfim, eu tinha que descobrir como fazer e a partir dali dependia só de mim, afinal, só nós sabemos onde dói. Certo?
Ocorre que ao mesmo tempo, depois de viver todas estas experiências, de adoecimento, tratamento e recuperação, identifico que muitas outras pessoas relatam que já passaram ou passam por pelo menos um dos sintomas que eu relatei, ou seja, sofreram ou ainda sofrem. E me dói o coração saber disso, porque sei o que é, porque senti na pele.
O ideal seria que as pessoas se conscientizassem que uma mudança de vida deveria ocorrer antes do problema acontecer e assim, prevenir este tipo de adoecimento.
Por isso resolvi compartilhar com vocês os 06 passos, muito simples, que considero essenciais para garantir qualidade de vida:
Reconhecer a nossa fragilidade
Nós acreditamos que nunca iremos adoecer, o que é ilusão, pois não somos melhores do que ninguém e as doenças não acometem apenas nossos amigos, vizinhos e familiares. Elas podem acontecer “sim” com a gente. Quando menos esperamos, ela chega silenciosa dando pequenos sinais de alerta, que se não cuidarmos, poderá evoluir e se agravar.
Por isso precisamos reconhecer que somos passíveis de adoecer a qualquer momento e por qualquer coisa.
Aceitar que não somos eternos
Nossa vida é finita. Iremos envelhecer e nos tornaremos cada dia mais frágeis e portanto, passíveis de adoecimento.
Por isso cabe a nós vivermos de forma equilibrada, seja na relação com o trabalho, família e com a alimentação, sem vivermos nos extremos para não corrermos o risco de passarmos do nosso limite.
Reduzir o peso da carga que estamos carregando
Avaliar as atividades, o tempo ocupado com cada coisa, verificar se não estamos nos sobrecarregando no dia a dia e se estamos, com qual propósito? Será realmente importante o que almejamos? Perguntar sempre: estamos precisando disso?
Na relação com a família: estamos nos esforçando para promover o entendimento em prol da criação dos nossos filhos?
Temos que identificar nossos limites, dividir tarefas, mas principalmente responsabilidades.
Tente entender o cenário, se for necessário, desenhe para compreender melhor a situação e verificar se não estará carregando carga demais sem necessidade.
Não seria o caso de dividir ou tirar um pouquinho?
Temos uma tendência a abraçar todas as causas e muita dificuldade para dizer não. Não seria o caso de também mudar este posicionamento sem se achar egoísta, mas simplesmente racional?
Passar a observar tudo que está ao nosso redor
Costumamos passar correndo pela vida, numa velocidade tão grande que somos incapazes de observar as flores, os pássaros, os aromas, a lua, o sol e o relevo que insistentemente ficam ali a nossa disposição esperando uma oportunidade de serem notados.
Parece que ficamos com um objetivo infinito e que para alcançá-lo é muito exaustivo. Não seria o caso de trazê-lo para mais perto, ao nosso alcance, valorizando o simples, o que já temos, e o que já está disponível, sem precisar desejar voar tão alto?
E ouvir todos os dias a música:
Epitáfio dos Titãs
Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o Sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazerQueria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria
E a dor que traz no coraçãoO acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andarDevia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o Sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amorQueria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vierO acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andarO acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andarDevia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o Sol se pôr
Compreender e conviver melhor com o próximo.
É impossível passarmos pela vida sem convivermos com outras pessoas, sem influenciá-las ou sermos influenciados por elas.
Ao final, seremos lembrados pelas marcas que deixaremos que poderão ser boas ou ruins. Como filhos, pais, amigos, irmãos, chefes e muitas outras posições que ocupamos, que marcas gostaríamos de deixar? Boas, né? Para então, ter valido a pena.
Sendo assim é muito importante sermos mais tolerantes e compreensivos com o próximo. Isso nos ajudará muito na nossa trajetória.
Ter o tempo a nosso favor
Ficamos muito tempo controlando os outros, alimentando expectativas que muitas vezes nos frustram. Com isso perdemos muito do nosso tempo, que poderíamos estar usando a nosso favor, para cuidar da gente. Ele é valioso e não pode ser terceirizado, ou seja ninguém pode viver por nós.
E se olharmos para trás, ver o quanto dele já se foi e que não dá para recuperar, não seria melhor acordar para o momento presente e ser feliz, sem complicar as coisas.
A vida pode ser muito mais simples do que parece e não precisamos adoecer para entender isso.
Sou sensível a todas questões que afligem as mulheres, principalmente as relacionadas ao excesso de trabalho, pois sei que tentamos dar sempre o nosso melhor em tudo e muitas das vezes extrapolamos o nosso limite e adoecemos. Por isso tenho criado os meus textos, com a intenção de ajudar !!!
Sobre mim:
Sou empresária e depois de atuar por muitos anos como engenheira, decidi cursar psicologia. Tenho publicado alguns textos sobre empreendedorismo, autoestima e sobre minha experiência atual como Universitária.
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E além disso criei um grupo no Facebook para gerar conteúdos exclusivos sobre Recomeçar ao 50. Por que não?
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