Por Sérgio Hicardo
Uma prática íntima que gera curiosidade, estranheza e, muitas vezes, preconceito
[Matéria Especial • Leitura: 4 min]
Imagine encontrar no cesto de roupas uma peça sua que parece ter sido usada… por outra pessoa. Isso aconteceu com uma mulher de São Paulo, que descobriu que seu marido usava suas calcinhas às escondidas. A princípio chocada, ela decidiu conversar com ele — e o que surgiu desse diálogo foi algo que muitos casais sequer imaginam: a revelação de uma fantasia íntima que, apesar de incomum, está longe de ser inédita.
No programa “Vida em Foco”, da TV Cultura Urbana, o caso foi tema de uma matéria especial que explora um universo muitas vezes ignorado: o do fetichismo masculino relacionado a roupas íntimas femininas.
Um tabu silencioso
Segundo psicólogos ouvidos pela equipe, o uso de peças íntimas femininas por homens pode estar relacionado a diversos fatores: desde curiosidade, conforto, prazer estético ou sexual, até uma forma de explorar aspectos reprimidos da própria identidade.
“Não se trata necessariamente de uma questão de gênero ou orientação sexual. Em muitos casos, é apenas uma fantasia que, como qualquer outra, deve ser tratada com respeito e comunicação dentro da relação,” explica a psicóloga Paula Mazzetti, especialista em sexualidade humana.
Reações e julgamentos
Nas redes sociais, a repercussão foi imediata. Enquanto alguns internautas reagiram com humor ou surpresa, outros demonstraram empatia e até se identificaram com a situação. A reportagem também ouviu casais que passaram por experiências semelhantes e relataram como o diálogo e o respeito transformaram o tabu em uma nova forma de intimidade.
“No começo foi estranho, sim. Mas depois percebi que não era nada demais. Ele só se sentia bem, e isso não mudava nada sobre o que ele é como homem ou parceiro,” conta uma mulher que preferiu não se identificar.
Uma quebra de padrões
Em um mundo onde a masculinidade ainda é cercada de regras rígidas, qualquer comportamento que fuja da norma é rapidamente taxado de “errado” ou “anormal”. Mas especialistas alertam: fetiches e curiosidades sexuais fazem parte da vida adulta e saudável — desde que não envolvam prejuízos ou não consentimento.
A matéria também mostrou que o mercado de lingerie já começa a perceber esse público: marcas alternativas estão criando linhas de roupas íntimas desenhadas especialmente para homens que preferem modelagens tradicionalmente femininas.
Conclusão
O caso do “homem que usava a calcinha da esposa” pode parecer incomum à primeira vista, mas revela muito sobre como lidamos com o desejo, o corpo e os limites autoimpostos pela sociedade. Mais do que uma história curiosa, é uma oportunidade para discutir sexualidade com maturidade e menos preconceito.
“O importante é que cada um se sinta confortável com suas escolhas, e que o casal esteja disposto a conversar sobre o que sente. Afinal, intimidade também é liberdade,” finaliza Sérgio Hicardo, autor da reportagem.
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