Data: 09 de maio de 2025
Autor: Sérgio Hicardo
Tema: “A tristeza que se transforma em alegria”
Evangelho: João 16, 20-23a
Amados irmãos e irmãs em Cristo,
A liturgia desta sexta-feira nos convida a uma profunda meditação sobre a dinâmica entre a dor e a alegria, a ausência e a presença, o tempo e a eternidade. O Senhor Jesus, no Evangelho de João, dirige-se a seus discípulos com palavras que parecem contraditórias à primeira vista: “Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará. Vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria” (Jo 16,20).
Estamos no tempo pascal, tempo de ressurreição, mas também de preparação para a Ascensão e Pentecostes. Jesus prepara o coração dos seus para a aparente ausência que viria com sua Paixão e morte, mas também para a gloriosa realidade da Ressurreição e da presença do Espírito Santo.
Quantas vezes, irmãos, experimentamos este mesmo movimento em nossa vida? Momentos de dor que parecem não ter fim, noites escuras da alma, perdas que nos rasgam o coração… mas o Senhor nos promete: a tristeza se transformará em alegria. Ele não diz que será substituída, mas transformada. É uma alegria que nasce da cruz, uma alegria que não ignora o sofrimento, mas o ressignifica.
Jesus usa a imagem da mulher em trabalho de parto. Que imagem forte e bela! A dor é intensa, mas não é estéril. É uma dor que gera vida. Assim também é a vida do cristão: nossas lutas, nossas cruzes, nossos desertos, quando vividos em Cristo, não são em vão. Eles estão gestando algo novo em nós.
Neste dia 09 de maio, peçamos a graça de compreender que as tristezas não têm a palavra final. Deus está sempre escrevendo o último capítulo. Ele transforma luto em dança, lágrimas em testemunho, fraqueza em força. E isso não é uma promessa vazia, é uma realidade comprovada pela história da Igreja, pelos santos e mártires, e talvez — se olharmos com atenção — pela nossa própria vida.
Hoje, em especial, rezemos por aqueles que estão vivendo tempos difíceis. Que não percam a fé. Que não se deixem levar pelo desespero. Que se lembrem: depois da noite, vem a manhã. Depois da cruz, a ressurreição. Depois da ausência, a presença gloriosa do Espírito que consola e fortalece.
E termino, como autor católico e também peregrino desta estrada da fé, com as palavras do salmista: “Os que semeiam entre lágrimas, ceifarão com alegria” (Sl 125,5).
Que Maria, Mãe da Esperança, interceda por nós.
Amém.


