O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), determinou a **exoneração de servidores comissionados indicados por deputados da sua base aliada que votaram contra o projeto de lei para socorro ao Banco de Brasília (BRB). A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial do DF na noite de terça-feira, 3 de março de 2026, pouco depois da aprovação da proposta na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
O que aconteceu na votação do socorro ao BRB
Na mesma sessão em que foram divulgadas as exonerações, a CLDF aprovou o Projeto de Lei 2175/2026, que autoriza o Governo do Distrito Federal a adotar medidas para capitalizar o BRB e cobrir prejuízos da instituição, incluindo a possibilidade de contratar empréstimos de até R$ 6,6 bilhões e utilizar imóveis públicos como garantia, venda ou transferência. A proposta foi aprovada por 14 votos a favor e 10 contra.
O projeto foi alvo de intensa negociação política e debate no plenário. O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, alertou que, sem a aprovação, o banco poderia enfrentar dificuldades operacionais. Já deputados contrários contestaram o modelo, classificando partes da proposta como um “cheque em branco” e criticando a falta de documentos e avaliações detalhadas sobre os imóveis públicos envolvidos.
Quem teve os cargos retirados
Entre os comissionados exonerados estão:
- Marcos Araújo Pinto Teixeira, secretário de Projetos Especiais
- Roberto Medeiros Santos, administrador regional de São Sebastião
- Bruno Ericky Francisco Alvim de Oliveira, administrador do Setor de Indústria e Abastecimento (SIA)
- Allan Freire Barbosa da Silva, diretor-presidente do Jardim Botânico de Brasília
Todos eram indicações dos deputados Thiago Manzoni (PL) e Rogério Morro da Cruz (PRD), que votaram contra a proposta mesmo integrando a base de apoio ao governo.
Além desses parlamentares, outro deputado da base, João Cardoso (Avante), também votou contra o projeto e poderá, segundo fontes políticas, ter seus aliados demitidos em nova rodada de cortes publicada nesta quarta-feira, 4 de março de 2026.
Reação dos deputados
O deputado Rogério Morro da Cruz afirmou que não se surpreendeu com as exonerações e disse que não se arrepende do voto contrário, ressaltando que é preciso pensar com autonomia política. Já aliados e assessores dos cargos retirados destacaram o trabalho realizado nas administrações e defenderam suas gestões.
O cenário político
A atitude do governador é interpretada por analistas como uma resposta às dissidências dentro da base. Ao combinar a votação de um projeto estratégico para o BRB e a imediata exoneração de indicados divergentes, a ação reforça o peso político das votações no plenário da CLDF para o Executivo distrital.
A matéria segue em desenvolvimento, e há expectativa de novas publicações no Diário Oficial com mais exonerações de indicados de parlamentares que se opuseram ao projeto.
Autor: Sérgio Hicardo.


