Por Sérgio Hicardo – TV Criar Brasília
🧩 Infância marcada pela vulnerabilidade
Gerson de Melo Machado, 19 anos, cresceu em um ambiente de extrema fragilidade social.
A mãe, diagnosticada com esquizofrenia, perdeu a guarda dos filhos ainda quando ele era criança.
Desde então, Gerson passou a viver sob acompanhamento do Conselho Tutelar de João Pessoa, levado de acolhimento em acolhimento.
Era uma criança quieta, introspectiva, mas que carregava um sonho incomum: trabalhar com grandes felinos.
🧠 Adolescência entre delírios e sonhos
Durante a adolescência, os sinais de sofrimento psicológico ficaram mais evidentes.
Gerson desenvolveu transtornos mentais graves, com episódios de delírio e desconexão da realidade.
Ao mesmo tempo, alimentava uma fantasia intensa: viajar para a África e se tornar domador de leões.
Essa obsessão cresceu com o tempo.
Chegou ao ponto de tentar entrar escondido no trem de pouso de um avião — acreditando que chegaria ao continente africano.
🧭 Vida adulta sem rede de apoio suficiente
Mesmo já maior de idade, Gerson continuava em situação de vulnerabilidade.
Recebia acompanhamento do CAPS, mas fugia.
Não tinha família presente, não tinha estrutura emocional e muito menos ferramentas para lidar com seus delírios.
A fantasia de “falar com leões” seguia viva — e perigosa.
🦁 30 de novembro de 2025 — A tragédia anunciada
Era domingo, fim de manhã, clima quente em João Pessoa.
O Parque Zoobotânico Arruda Câmara, a tradicional “Bica”, estava cheio.
Gerson entrou no local como qualquer visitante.
Mas, em poucos minutos, fez algo impensável:
Escalou uma parede de cerca de 6 metros, ultrapassou grades de segurança e entrou no recinto da leoa.
Testemunhas ficaram em choque.
Algumas pessoas filmaram a cena.
Outras gritaram, pedindo que ele voltasse.
Dentro do recinto, a leoa reagiu instintivamente.
O ataque foi imediato e fatal.
Gerson morreu no local, antes que qualquer equipe conseguisse agir.
🚨 Fechamento do parque e repercussão
O zoológico foi fechado na hora.
Equipes da prefeitura e da polícia iniciaram investigação.
A leoa, mantida em observação, não será sacrificada — decisão apoiada por especialistas em comportamento animal.
A tragédia provocou comoção nacional.
E reacendeu debates urgentes sobre:
- Saúde mental
- Vulnerabilidade social
- Falhas no acompanhamento de jovens desassistidos
- Segurança em parques e zoológicos
🕯 Reflexão Final
Gerson não era apenas “o jovem que invadiu a jaula da leoa”.
Ele era fruto de uma vida inteira de abandono, sofrimento e delírios não tratados.
Sua história é um alerta — forte, duro, necessário.
Um pedido silencioso para que a sociedade olhe com mais atenção para quem vive às margens, sem apoio, sem família, sem cuidado.


