Por Sérgio Hicardo — TV Criar, Brasília
Um episódio brutal e comovente marcou o domingo (30/11/2025) no Parque Zoobotânico Arruda Câmara — também conhecido como “Bica” —, em João Pessoa (PB). O jovem Gerson de Melo Machado, de apenas 19 anos, entrou de forma intencional no recinto de uma leoa e foi fatalmente atacado.
🧑🦱 Quem era Gerson — “Vaqueirinho”
Segundo relato de uma conselheira tutelar que acompanhou Gerson desde a infância, ele vivia uma trajetória de abandono, sofrimento e trauma. A profissional lembrou que, desde os 10 anos de idade, o jovem expressava o sonho de “ir para a África cuidar de leões”.
Ela narrou momentos marcantes: “Gerson, meu menino sem juízo… Quantas vezes, na sala do Conselho Tutelar, você dizia que iria pegar um avião para ir a um safári na África cuidar de leões. Você ainda tentou…”. Em uma das tentativas, ele teria até cortado uma cerca para entrar no trem de pouso de um avião — mas foi detido antes de decolar.
A conselheira lamentou a forma como Gerson foi julgado pela sociedade: “Nunca consegui ver você como as redes sociais te pintavam. Eu conheci uma criança que apenas queria voltar a ser filho da sua mãe, que enfrentava problemas de saúde mental.”
⛔ A tragédia no zoológico
De acordo com a prefeitura de João Pessoa, Gerson escalou uma parede de mais de 6 metros, ultrapassou grades de segurança e usou uma árvore como apoio para entrar na jaula da leoa.
Testemunhas registraram cenas chocantes. Logo após entrar no recinto, ele foi atacado pela leoa — o ataque foi instantâneo e letal. A equipe de segurança e resgate foi acionada, mas não conseguiu salvar o jovem.
Imediatamente após o incidente, o parque foi fechado para visitas. As autoridades locais — incluindo a polícia científica — iniciaram investigação para apurar os detalhes da invasão e o contexto da tragédia.
O zoológico divulgou que as normas de segurança estavam em dia, mas lamentou profundamente o ocorrido. A leoa permanece confinada e sob observação veterinária; não há indicativo, até o momento, de punição ao animal.
🧠 Reflexões — vulnerabilidade, saúde mental e limites
A morte de Gerson expõe uma série de reflexões dolorosas e urgentes:
- A falha de redes de proteção social e de saúde mental — muitos afirmam que o jovem sofria com transtornos e enfrentava abandono desde a infância.
- A situação emocional e psicológica dele o levou a buscar uma “fuga” idealizada — cuidar de leões na África — um sonho que denunciava desespero e desejo de pertencimento.
- A tragédia também evidencia os riscos irreversíveis quando seres humanos invadem o habitat de animais selvagens, mesmo em cativeiro — um ato extremo de desespero que, além de vitimar o jovem, causa trauma profundo em quem testemunha.
❤️ O que resta — memória, empatia e alerta social
O relato emocionado da conselheira e o desfecho trágico da vida de Gerson transformaram a história em um alerta sobre negligência social e a importância da atenção à saúde mental. Sua morte não deve ser apenas notícia — precisa servir de reflexão sobre o que a sociedade pode (e deve) fazer para proteger vidas vulneráveis.
Que possamos honrar sua memória com mais humanidade, acolhimento e responsabilidade.
Autor: Sérgio Hicardo — TV Criar, Brasília


