Autor: Sérgio Hicardo – TV Criar, Brasília
A iniciativa do Banco Central do Brasil (BCB) para implementar o “real digital” — denominada DREX (Digital Real X) — sofreu uma guinada inesperada: segundo fontes oficiais e da mídia especializada, a autoridade monetária resolveu descontinuar a infraestrutura baseada em blockchain que vinha sendo utilizada no projeto piloto. Forbes Brasil+1
O que era o DREX
Originalmente, o DREX foi anunciado como a versão digital da moeda nacional, com valor equivalente ao real físico, regulada pelo Banco Central e com possibilidade de uso em transações entre cidadãos, empresas, bancos e instituições financeiras. Wikipédia+2Portal do Bitcoin+2
O objetivo era ir além de um sistema de pagamentos instantâneos, como o PIX — almejava criar uma plataforma de infraestrutura financeira com tokenização de ativos, contratos programáveis e liquidação digital. InfoMoney+1
Motivos da reversão
De acordo com reportagens recentes:
- A tecnologia de registro distribuído (DLT/blockchain) utilizada — baseada na rede Hyperledger Besu — mostrou-se incompatível com requisitos de privacidade, segurança, escalabilidade e custo operacional exigidos pelo sistema financeiro nacional. Forbes Brasil+1
- Em reunião realizada em 4 de novembro de 2025, o Banco Central informou aos consórcios participantes que a plataforma utilizada seria desligada na próxima fase. InfoMoney+1
- Em consequência, o foco do projeto DREX foi reformulado: a função de ser um meio de pagamento direto ao público central foi deixada de lado, passando a priorizar funcionalidades como garantias de crédito, registro de gravames e tokenização de ativos. Portal do Bitcoin
Impactos e reflexões
- A decisão revela os desafios reais que iniciativas de moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) enfrentam para entrar em operação numa escala real: além da tecnologia, há questões de governança, privacidade, regulação, custo e interoperabilidade.
- Para o ecossistema fintech/cripto, o recuo também sinaliza que o Brasil não seguirá, por ora, com o desenho original do DREX como moeda digital pública com blockchain visível.
- Por outro lado, o Banco Central sinaliza que o projeto não está morto: haverá nova etapa, com redefineção de tecnologia, escopo mais restrito e provável lançamento apenas em 2026 ou posteriormente. Gazeta do Povo+1
O que vem pela frente
- A nova fase pretende focar em uso institucional ou “atacado” (wholesale) — por exemplo, liquidação entre bancos, registro de garantias e ativos — antes de eventual uso “varejo”.
- A escolha da tecnologia de base será revista completamente, podendo abandonar o modelo DLT/blockchain atual e adotar solução mais centralizada ou híbrida. Forbes Brasil+1
- Para o cidadão comum, não há por hora impacto imediato: o DREX não chegou à fase de uso massivo. O que muda é o cronograma, as funcionalidades e o formato futuro.
Considerações finais
O Brasil, ao anunciar o DREX, aparecia entre os países que exploram ativamente a moeda digital de banco central. Agora, com o recuo tecnológico, o cenário ganha cautela — mais pesquisa, menos hype. Para a TV Criar e para o público, esse episódio reforça que inovação financeira exige tempo, etapas e adaptações. A promessa do “real digital” continua viva, mas com um plano diferente — e mais prudente.


