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Por Sérgio Hicardo – TV Criar Brasília
📍 Brasília, 26 de agosto de 2025 — A demissão de Lisa Cook, primeira mulher negra a integrar o Conselho de Governadores do Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos), reacendeu debates sobre independência institucional, racismo estrutural e disputas políticas no coração da economia americana.
👩🏽🏫 Uma trajetória marcada por pioneirismo
Lisa Cook nasceu em Milledgeville, Geórgia, em 1964, e enfrentou desde cedo os efeitos da segregação racial. Formada em Física e Filosofia pelo Spelman College, foi a primeira bolsista Marshall da instituição, conquistando uma das bolsas de pós-graduação mais prestigiadas dos EUA. Obteve diplomas em filosofia política e economia pela Universidade de Oxford e doutorado em economia pela Universidade da Califórnia, Berkeley.
Antes de chegar ao Fed, foi professora na Michigan State University e atuou como economista no Conselho de Assessores Econômicos durante o governo Obama. Seus estudos relacionam violência racial à queda na inovação econômica, mostrando como o racismo impacta até mesmo o número de patentes registradas por inventores negros.
🏦 Nomeação histórica e embates políticos
Cook foi nomeada para o Federal Reserve em 2022 por Joe Biden e reconduzida em 2023 para um mandato de 14 anos. Sua presença no comitê que define as taxas de juros dos EUA foi considerada um marco histórico. No entanto, sua atuação passou a ser alvo de críticas do ex-presidente Donald Trump, que alegou que Cook teria cometido fraude hipotecária ao declarar duas residências como principais em diferentes estados.
Trump anunciou sua demissão por “justa causa”, alegando que a conduta de Cook comprometeria sua integridade como reguladora financeira. A diretora, por sua vez, contesta a legalidade da decisão e afirma que o presidente não tem autoridade para removê-la. “Não vou renunciar”, declarou em comunicado oficial.
⚖️ Disputa jurídica e impacto institucional
A demissão de Cook pode desencadear uma batalha judicial que deve chegar à Suprema Corte. Especialistas apontam que, apesar de precedentes que ampliam o poder presidencial sobre agências independentes, o Federal Reserve possui salvaguardas especiais para garantir sua autonomia.
Críticos veem a ação como uma tentativa de Trump de reformular a composição do Fed, garantindo maioria republicana e pressionando por cortes agressivos nas taxas de juros. A medida levanta preocupações sobre a politização do banco central e sua independência frente ao Executivo.
📣 Vozes que ecoam
Em artigo publicado no The New York Times, Cook já havia revelado os desafios de ser mulher e negra no campo da economia. “Foi um erro da minha parte escolher essa área. Se eu soubesse que seria tão tóxico, não teria escolhido”, escreveu em 2019. Sua resistência à demissão é vista por muitos como um símbolo de luta por representatividade e justiça institucional.
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📌 Autor: Sérgio Hicardo – TV Criar Brasília


